sexta-feira, 16 de novembro de 2007

SÓ PARA FORTES

Johnny Cash era um garoto pobre que nasceu numa pequena fazenda no Arkansas e conheceu a tragédia prematuramente.
Seu irmão morreu atingido por uma serra elétrica e o próprio pai lhe incutiu a culpa pelo acontecido. Tipo: “Se deus tivesse de levar alguém que levasse a ele, o pequeno Johnny que era relapso e não gostava dos afazeres do campo, não ao seu irmão que eral a representação do menino trabalhador e pródigo”. Mas como deus, pelo que aparenta, não é lá tão justo assim e não estava nem aí para a dor da família, deixou o pequeno Cash carregar esse complexo de culpa para resto de sua atribulada vida.

Pobre Cash que não sabia que uma carreira permeada de desatres lhe perseguiria e aos seus próximos por grande parte de sua existência. Desde o vício em afetaminas e outras “cositas más”, à morte prematura do guitarrista de sua primeira banda, passando por prisões, idas e vindas por clínicas de reabilitação e muitos bodes pretos mais.

Mas, uso todas essas referências para me reportar ao último disco de Cash, American IV, The Man Comes Around, lançado em 2002, com uma bela capa, obscura, forte e suave ao mesmo tempo, que mereceria uma moldura. É um disco denso com algumas inéditas e outras versões. E são as versões que mais impressionam. A começar por “Hurt” do Nine inch nails, que bate de longe a original. Além do clip, arrepiante, ter levado vários prêmios em sua categoria. “Bridge over trouble waters” de Simon e Garfunkel - que um amigo falou que era religiosa, mas acredito que não - não dá para ser ouvida sem que lágrimas escorram na face. “In my life”dos Beatles nos deixa a impressão que o velho Johnny já estava se despedindo, que aconteceu menos de um ano depois do lançamento. “Personal Jesus” do Depeche Mode, está irretocável como um boogie meio country nada conformado.
Quando Johnny gravou este disco já estava abalado pelo mal de Alzheimer e essa situação torna ainda mais pungente sua performance. Com voz grave e arranjos econômicos, Cash imprime sua personalidade a todo o material. Trata-se de um disco dominado por temas como morte, despedidas e destruição (os versos da faixa-título, composta pelo próprio Cash, são uma meditação religiosa sobre o apocalipse). Um trabalho arrepiante, como raramente se vê.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

PERTO DO DIA DOS MORTOS






- Odeio quem faz surpresa.
- Odeio quem diz: “se fosse comigo...”
• Adoro cheiro de palito de fósforo quando acende.

- Odeio quem se “acha” e faz de conta que acha que ninguém nota.
- Odeio ter de me fingir de idiota para não demonstrar a burrice alheia.
• Adoro chocolate com café.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A IMAGEM DA DESOLAÇÃO


a tela em branco
a mesa vazia
o coração frio
sem supresas

segunda-feira, 22 de outubro de 2007






- Odeio quem olha por cima do meu ombro.
- Odeio quando alguém espera que eu dê uma opinião sobre o que não tenho.
• Adoro coçar o ouvido com tampa de caneta.

- Odeio sair de casa no domingo.
- Odeio vitamina de fruta com leite.
• Adoro ler qualquer coisa no banheiro.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

QUANTO VALE O SHOW?

Bem, todo mundo já deve ter sua opinião sobre o "disco novo" do radiohead e o que também já se sabe é que a maioria escolheu o "free"(como esse que vos escreve) como preço para baixá-lo, mas, o que pouca gente sabe é que não pagaram pelo tal "disco novo" e sim por um punhado de músicas que já vinham sendo tocadas em shows desde o final doa anos 90, e que o verdadeiro lançamento vem em um box com nada menos que um cd com 8 músicas(essas sim realmente inéditas), um livro e dois discos de vinil que vai ser lançado em dezembro no reino unido e custará 40 libras(cerca de R$ 148,00). Mas o que foi válido mesmo nesse nessa experiência "pague quanto quiser" do radiohead foi que ainda existem pessoas dispostas a pagar por música(fala-se que eles arrecadaram 8 milhões de doláres nos downloads) e que ficar a mercê das gravadoras é o que as pessoas não querem.
mas voltamos ao disco...
Esse "In Rainbows" que foi baixado cumpre bem o papel de "lado b" mas não oferece nada de novo em relação ao que eles vinham fazendo, e essa talvez seja a grande frustração dos fãs e ouvintes do radiohead. Tavez seja o caso de esperar pelo lançamento do final do ano e aí sim, ouvir o tão aguardado novo disco do radiohead, só que dessa vez os fãs vão ter só duas opções para escutar o material inédito: ou ele compra o box pelo preço que a gravadora esipular(isso se o box chegar ao brasil) ou então esperar e baixar por uma versão "free". E esse que vos escreve vai esperar pela versão "free" mesmo...


embaixo segue o video da música que considero a melhor faixa desse disco "bodysnatchers":

terça-feira, 9 de outubro de 2007

here comes the men

Terça-feira, 31 de Julho de 2007

Ainda não sabemos bem por onde começar. A princípio somos 3 por isso o nome. Se fôssemos 1 ou 2...
Iremos escrever, mostrar, questionar, sugerir e dar pitaco sobre coisinhas básicas como música, cinema, literatura, comportamento e cultura pop em geral.
Não temos nenhuma pretensão comercial (ainda) nem de fundo espiritual, religioso, filosófico, seja lá o que for.
Pois, como dizia o Velhoo Guerreiro: "Eu vim aqui para confundir, não para explicar."

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Geração Zero

Bem. Têm vindo à tona em certas conversas "etílicas" com amigos meus, um termo que eu mesmo cunhei de pronto, do alto das minhas crises de Criticisite Aguda (nada mais que a conhecida Síndrome do Crítico), o qual chamo Geração Zero, para descrever esse período que estamos vivendo.
Passei a pensar mais atentamente nisso um dia desses que estava no supermercado comprando víveres. Cheguei a ficar incomodado tamanha quantidade de produtos que traziam na embalagem a advertência "zero gordura", "zero açúcar", zero isso ou zero aquilo. Cheguei a me perguntar se havia algo dentro daquelas embalagens. Assustado pensei: "daqui a pouco irão criar produtos com 'zero ar'". Só então, mais assustado ainda, atentei para o fato que esses tais produtos já existem, são as bexigas dessas de encher.
Isso ficou desde esse dia me intrigando e vez por outra me peguei pensando nisso ou discutindo minhas impressões com amigos. Acompanhe meu raciocínio e veja se é ou não é pra ficar intrigado:
A geração dos anos 50 ficou conhecida como a geração dos "anos dourados", a dos 70 como a greação dos "anos de chumbo", os anos 80 nos deram a "geração Coca-Cola". Esta que aí está pode-se chamar de "geração Coca-Cola Zero"(!).
Percebem como as coisas foram grotescamente se diluindo até ficarem assim inertes como estão? O zero representa - a meu ver - o nada, completa ausência de unidades, valores, emoções, gravidade... O zero é visualmente vazio.
Sou da geração oitenta. Apesar de ter tido minhas melhores experiências nos anos 90 (incluindo aí todas as situações foda e fodas situacionais) foram os "oitenta" que lapidaram minha índole e me tornaram um cara apto a encarar os anos noventa como toda informação que eles trariam.
Voltando um pouco mais no tempo, tivemos de engolir uma ditadura nos anos 60, e nem bem essa década tinha terminado o AI-5 amordaçou nossas bocas e aquele abacaxi verde-oliva com gosto de sola de coturno desceu goela abaixo. Os anos 80 viram crescer uma geração que era ávida por informação, novidades. Daí estarmos de braços abertos e preparados para segurar o que quer que caísse em nosso colo. Saca só o que caiu em cima da minha geração na virada dessas duas décadas: AIDS, queda do muro de Berlim e fim do comunismo, Saddan Hussein e Bush pai brincando de Atari no Iraque, eleição do Collor, impeachment do Collor, compact disc, internet, icq...
E a gente tirou isso de letra como aquele menino fazendo malabarismo com laranjas no semáforo. Aí agora, vêm uma geração que tem toda a liberdade do mundo pra correr atrás da informação, pensar, mastigar tudo, e essa rapaziada fica imersa em tanto superficialismo?! Soa até estranho isso que eu disse pois não dá nem pra ficar imerso em superficialismo, é o mesmo que imaginar alguém nadando em dez centímetros de água. Mea-culpa, admito que essa geração atual foi mal treinada (culpa dos vídeo games), pois foi uma geração incitada a "zerar" (de zerar o jogo, finalizar, etc). Treinados para chegarem ao objetivo final do jogo que era simplesmente "zerar".
Vivemos assolados pela ditadura do zero e em toda parte ele está. Até a banda mais popular do Brasil nesses dias se chama NXZero.
Acho que está na hora dessa moçada dar um passo (ou dez) adiante e sair desse zero em que está parada. É hora de pensar, repensar, fazer, lutar, incomodar, falar, perguntar, encher o saco, encarar um livro, passar o livro adiante, protestar... Enfim, deixar de "zerar".
Agradeço a essa força motora superior (a quem a maioria chama Deus) por não ter deixado a humanidade debaixo dos parâmetros da filosofia do "zero açúcar" há mais tempo. Do contrário não haveria uma casa de doces para a bruxa encarcerar Joãozinho e Maria, eu não teria assistido La Dolce Vita (A Doce Vida), Willy Wonka seria só um mendigo excêntrico sem sua fantástica fábrica de chocolates, e por aí vai...

Por Edgard Maeta (Notívago, poeta e visionário de bar)